Exportação de lácteos entra no radar do agronegócio com plano da Aliança Láctea Sul para ampliar vendas externas até 2030.
O debate sobre exportação de lácteos ganhou força no agronegócio brasileiro após a apresentação de um novo plano estratégico para ampliar a presença internacional do leite produzido no país. A proposta foi apresentada em Curitiba pela Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB) e pretende transformar a região Sul em um polo exportador até 2030.
Atualmente, o Brasil ainda participa pouco do comércio internacional do setor. Dados do IBGE mostram que as vendas externas representam apenas 0,34% da produção nacional, enquanto cerca de 8% do leite consumido no país é importado de parceiros do Mercosul. O cenário reforça a necessidade de fortalecer a exportação de lácteos como alternativa para reduzir a dependência do mercado interno.
A proposta da ALSB reúne entidades públicas e privadas para criar um ambiente produtivo e industrial mais competitivo. A ideia é estruturar a cadeia leiteira, ampliar a inserção internacional e reduzir a vulnerabilidade da produção nacional às oscilações de preço dentro do país.
Exportação de lácteos é estratégia para estabilizar o setor
O plano prevê ações coordenadas para aumentar a competitividade do leite brasileiro no mercado externo. Entre os objetivos estão a formação de polos produtivos, investimentos industriais e medidas de acesso a novos mercados.
Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o setor precisa atuar de forma estratégica para ampliar as vendas internacionais.
“Pretendemos impulsionar as exportações do setor lácteo. Trabalharemos em conjunto, de forma coordenada e estratégica, para aumentar esse fluxo”, afirmou.
A expectativa é que a expansão da exportação de lácteos ajude a reduzir a volatilidade dos preços do leite no mercado interno e diminua a vulnerabilidade frente às importações.
Região Sul concentra grande parte da produção de leite
Hoje, os estados do Sul têm papel central na cadeia produtiva do leite. Juntos, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul respondem por cerca de 43% da produção nacional.
De acordo com o consultor da ALSB, Airton Spies, transformar a região em exportadora pode trazer benefícios para todo o país.
Segundo ele, quando há exportação, o mercado interno ganha fôlego e a pressão sobre preços diminui. Isso ajuda a equilibrar oferta e demanda e dá maior estabilidade ao setor.
Gargalos ainda limitam competitividade do leite brasileiro
Apesar do potencial produtivo, especialistas apontam diversos obstáculos que ainda dificultam o avanço da exportação de lácteos.
Entre os principais gargalos identificados estão:
- Escala limitada das propriedades rurais
- Baixa eficiência agronômica e zootécnica
- Qualidade do leite e rendimento industrial em sólidos
- Volatilidade de preços no mercado interno
- Baixa coordenação entre os elos da cadeia produtiva
Além disso, fatores estruturais também impactam o setor. Problemas sanitários, como brucelose e tuberculose, capacidade industrial ociosa e deficiência de infraestrutura rural elevam os custos logísticos e reduzem a competitividade.
Plano prevê crédito, incentivos e modernização
Para enfrentar esses desafios, o plano da ALSB prevê medidas estruturais importantes. Entre elas estão linhas de crédito diferenciadas, incentivos fiscais para investimentos industriais e estímulo à integração vertical da cadeia produtiva.
Também estão previstas salvaguardas financeiras para equalizar amortizações quando houver desalinhamento entre os preços internacionais e os valores praticados no mercado interno.
Segundo o secretário da Agricultura do Paraná, Márcio Nunes, o Estado está preparado para apoiar a expansão do setor.
Investimentos em infraestrutura rural, especialmente na recuperação de estradas e logística, fazem parte da estratégia para reduzir custos e tornar a cadeia leiteira mais competitiva.
Se as medidas forem implementadas com sucesso, especialistas avaliam que o Brasil poderá ampliar significativamente sua presença no mercado internacional de leite e derivados, consolidando a exportação de lácteos como um novo motor de crescimento para o agronegócio.
